Obra de arte londrinense é premiada nos Estados Unidos

A escultura interativa Vo, desenvolvida em Media Art, promove diálogos sonoros com a natureza e está exposta no Jardim Botânico de Londrina

O artista visual Chico Santos, de Londrina, foi contemplado com o prêmio de menção honrosa no evento Art on the Streets 2019, realizado nos Estados Unidos, com sua escultura nominada Vo. O reconhecimento foi concedido no último dia 7 de junho, na cidade de Colorado Springs, premiando a obra que contou com patrocínio do Programa Municipal de Incentivo à Cultura (Promic), por meio de projeto aprovado em 2018.

Foto: Divulgação

Na língua dos índios Kaingang, que habitam o território de Londrina desde muito antes da colonização do município, o termo Vo significa “barulho de andar no mato, coração batendo”.

A peça foi criada em Media Art e é composta por milhares de miniaturas e microprocessadores que emitem ruídos e promovem diálogos sonoros com as plantas e a paisagem natural, proporcionando um ambiente instigante de interação com o público na área do Jardim Botânico de Londrina. Este espaço foi a inspiração e o fio condutor do processo de construção artística da obra. E é exatamente lá que a escultura encontra-se exposta para visitação pública, das 9 às 19 horas, ao lado do ponto do mirante. Confira um vídeo sobre a obra clicando aqui.

Por conta do evento nos EUA, uma cópia da peça viajou até a cidade norte-americana onde Chico Santos recebeu o prêmio. A iniciativa envolveu artistas de países do mundo todo. Único brasileiro a participar da edição 2019, Santos é artista natural de Londrina, onde vive, mas possui bagagem internacional, tendo participado de exposições e conquistado prêmios em vários países além do Brasil, incluindo Austrália, Inglaterra, Irã, Espanha e França. Antes. Trabalhou como diretor de televisão e, atualmente, já soma mais de dez anos atuando com criações em Media Art.

O artista contou que sua escultura premiada é fruto de uma produção iniciada em 2018, e que levou mais de oito meses para ser concluída, entre fases de pesquisa e a confecção propriamente dita. Para isso, contou com apoio de parceiros como Marcelo Armani (arte sonora), Rodrigo Marques (engenharia elétrica) e Wesley Stutz (curadoria técnica), além da equipe do Jardim Botânico, que colaborou com as pesquisas feitas. “É muito gratificante ter ganho essa menção honrosa de um júri internacional dessa relevância, o que valoriza ainda mais a qualidade do trabalho e o esforço empenhado para criá-lo”, disse.

A estrutura da peça, que mede cerca de 3 metros por 1,5 metro de altura, é forjada em mármore, resina e pigmentos minerais, preenchida com sensores e pequenas caixas acústicas na parte interna. A escultura muda de cor e, além do fator visual, ruídos sonoros são emitidos a partir deste sistema elétrico, que é abastecido com energia renovável por captação de luz solar. De acordo com o artista, os sons produzidos pela escultura interativa são abstratos e se misturam ou se alteram conforme a variação da umidade do ar e da intensidade da luz recebida.

Vo é um convite a uma experiência que provoca percepções diferentes em quem observa a escultura. “A busca foi por mesclar contato visual e sonoro, sendo que a própria natureza ajuda a conectar os elementos. Assim, a paisagem é parte essencial da escultura, que foi desenhada para imitar um organismo parecido com uma composição de fungos. É como se pequenas casas e prédios fossem corpos urbanos aglomerados que se proliferam, e os objetos estivessem entrelaçados formando uma unidade com a natureza, de forma delicada e vigorosa ao mesmo tempo”, explicou.

Apesar de ter sido concebida a partir da ideia de um patrimônio da cidade de Londrina, a obra artística também carrega características internacionais. E não apenas por conta do prêmio conquistado no exterior. Aspectos urbanos da cidade de Londrina são sutilmente retratados, incluindo referências como a Catedral e o Relojão da área central, que são pontos turísticos da cidade, a primeira igreja de Londrina, que tem sua reprodução feita em uma capela na Universidade Estadual de Londrina (UEL), entre outros. Mas, também estão presentes ali diversos elementos ligados aos vários países que Chico Santos teve a oportunidade de conhecer.

O artista – Nascido em 1982, em Londrina, Chico Santos é artista visual formado pela Universidade Estadual de Londrina (UEL), mesma instituição pela qual concluiu pós-graduação em mídias interativas. Sua pesquisa artística tem foco na expansão das cidades e na invasão de paisagens naturais pelos processos de urbanização.

O artista constrói miniaturas de formas arquitetônicas genéricas, em produção baseada na proliferação de elementos. Com essa característica, suas criações se repetem sem limites e se expandem a outros formatos artísticos, abrangendo vídeo, escultura e instalações. Seus trabalhos podem ser conhecidos pelo endereço www.chicosantos.org ou no seu Instagram.

Redação Tem com N.COM


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