Vítimas de covid-19 em Londrina não eram números, eram vidas

Cidade completa 55 dias desde o primeiro caso: 15 pessoas perderam a vida.

15 londrinenses perderam a vida para a covid-19 – Foto: Reprodução/Arquivos pessoais

Nesta segunda-feira (11), Londrina completa 55 dias desde o primeiro caso confirmado de coronavírus na cidade. Naquele momento começam as medidas de isolamento e distanciamento social, além da preocupação dos londrinenses com a pandemia que atinge a cidade. O primeiro óbito foi registrado no dia 03 de abril, no Hospital Universitário (HU), desde então, 15 pessoas já perderam a vida em decorrência do vírus.

Todo dia, nós da imprensa local divulgamos os dados numéricos da covid-19 na cidade. Alguns dias aumentam a quantidade de casos suspeitos, outros diminuem o número de internados. E assim seguimos, todos os dias: números, gráficos e estatísticas.

Para alguns londrinenses, estes números já não representam mais nada. Familiares e amigos só conseguem ver as histórias que se foram, não os números. São histórias de pessoas que seguiam em frente e tiveram suas vidas arrancadas de forma abrupta por algo invisível aos olhos, mas que deixa uma dor inigualável. Há quem tente desprezar essa dor, diminuí-la, mas quando conversamos com um parente ou amigo das vítimas, percebemos que não há dor tão profunda. É um adeus, sem despedida.

Enquanto para uns 0,01% representa apenas uma quantia, para outros representa tudo que mais amavam. Estes, perderam 100%. Perderam tudo. Não tiveram nem mesmo a chance de uma despedida, o que torna tudo ainda mais doloroso. Para eles, os que ficam, não há economia recuperada que arranque um sorriso sequer do rosto, ao saber que nunca mais irão ver os entes queridos. Pais, avós, mães, histórias e mais histórias de vidas que em um dia estavam ali, sorrindo e conversando, e agora não estão mais.

Nossa redação recebeu uma mensagem no dia 15/04, de um filho que perdia o pai. No texto, ele fazia um pedido: “Por favor, não publiquem números, publiquem rostos. Meu pai era uma pessoa, não um número”. Embora nossa redação já optasse desde o começou por essa linha editorial, decidimos que seguiríamos assim, atentos às histórias, às homenagens e rostos dos londrinenses de coração ou de adoção, que por uma tragédia do destino deixaram este plano e seguiram para outro.

Através dos familiares, essas histórias permanecerão vivas. Histórias, como a do competente engenheiro Rodrigo. Do grande profissional do HU, Elzo, avô querido e torcedor do Tubarão, ou de seus colegas da Universidade Estadual de Londrina (UEL), o forte Sidney, segurança da instituição e da servidora Regina, guerreira que doou 27 anos de trabalhos para a comunidade londrinense.

A tia Zenaide, que foi a mestre de inúmeras gerações das cadeiras escolares do município ou da Marilda, uma mulher de fé e que tanto amava a família. Entre tantos outros londrinenses que partiram.

A verdade é que neste momento, a gente gostaria mesmo é de não precisar contar mais nenhuma história ou fazer nenhuma homenagem. Desejando que essa pandemia fosse embora o mais rápido possível! Infelizmente, a ciência, os especialistas e as projeções dizem exatamente o contrário.

Neste momento que exige fé, escolhas e principalmente responsabilidade com os demais, contaremos as histórias, enaltecendo a memória daqueles não estão mais entre nós, fazendo de tudo, de tudo mesmo, tudo o que estiver ao nosso alcance, para que o momento mais triste da nossa história seja o menos doloroso possível.

Desejamos aos familiares e amigos que perderam entes queridos nessa tragédia, que se sintam abraçados por nossa equipe, e consigam forças para seguir em frente.

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Queridos leitores e leitoras, se puderem, fiquem em casa.

Redação Tem



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