- Jornalismo
- 12 de setembro de 2026
Néias: Um feminicida interrompeu os sonhos de Thaissa
Observatório divulgou nota de indignação.

O Observatório de Feminicídios de Londrina (Néias) divulgou, neste sábado (12), uma nota de indignação e solidariedade após a morte de Thaissa Gabriely Oliveira Marques, de 21 anos. A jovem foi brutalmente assassinada enquanto trabalhava na Zona Leste de Londrina.
Leia a nota do Néias:
Toda jovem tem sonhos, faz planos, se esforça para alcançar seus objetivos. Thaissa Gabriely Oliveira Marques era uma delas. Com apenas 21 anos, já universitária do curso de Nutrição, trabalhava para alcançar novas metas e ajudar a família. Mas na tarde desta sexta-feira, 12 de setembro, um feminicida cruzou seu caminho.

Conforme notícias divulgadas pela imprensa, não havia qualquer vínculo entre a jovem e o rapaz preso pelo crime, que teria cerca de 20 anos. A ausência de vínculo íntimo prévio não afasta o feminicídio. A legislação brasileira reconhece como razões da condição do sexo feminino tanto a violência doméstica e familiar quanto o menosprezo ou a discriminação à condição de mulher. É esta segunda hipótese, prevista no inciso II do § 1º do art. 121-A do Código Penal, que deve orientar a investigação deste caso.
Não se trata de uma tragédia sem explicação. Mulheres também são mortas por homens desconhecidos em contextos nos quais sua condição de mulher estrutura a escolha da vítima, a abordagem, a violência praticada ou as circunstâncias do crime. É preciso compreender que nossa estrutura social está fraturada quando um homem desconhecido se sente à vontade para abordar e assassinar uma mulher apenas pelo que ela é.
Registramos nosso profundo pesar pela morte trágica de Thaissa e expressamos nossa solidariedade à famílias, às amigas e amigos que a amavam.
Seu nome não será esquecido. Sua morte não será tratada como fatalidade.
Cobramos do poder público investigação rigorosa, com perspectiva de gênero, processamento célere do caso e responsabilização do autor nos termos da lei. Cobramos que a hipótese de feminicídio por menosprezo ou discriminação à condição de mulher seja devidamente investigada e que este processo não se perca entre os tantos acompanhados por Néias na Comarca de Londrina, muitos deles marcados pela lentidão e pela revitimização das famílias.
Cobramos também políticas públicas de prevenção ao feminicídio que reconheçam a diversidade dos contextos em que mulheres são assassinadas por razões de gênero. Prevenir feminicídios exige enfrentar não apenas a violência nas relações íntimas e familiares, mas também as formas de violência e menosprezo contra mulheres que se manifestam nos espaços públicos e nas relações entre desconhecidos.
Seguiremos exigindo uma sociedade em que mulheres possam existir, estudar, trabalhar, circular e viver sem que sua condição de mulher as transforme em alvo da violência masculina. Uma sociedade que Thaissa tinha o direito de viver para ver.
Por nenhuma a menos.
Londrina, 12 de setembro de 2026.
Por Néias Londrina
Redação Tem Londrina com Néias