Brasil supera 250 mil mortos e registra ritmo acelerado de óbitos por covid

Imagem: Reprodução/Getty Images

Há quase um ano de pandemia, o Brasil ultrapassou a marca de 250 mil mortes devido à covid-19, segundo boletim divulgado nesta quarta-feira (24). Foram 1.390 novos óbitos registrados até as 18h18, totalizando 250.036 no país.

O número mortes foi atingido em meio à falta de campanha de vacinação e com novas variantes circulando. Especialistas citam o ritmo acelerado de transmissão e de mortes, consequência da falta de medidas de isolamento e de restrições impostas pelo Estado.

O registro do primeiro óbito no país ocorreu em 12 de março, e foram necessários 100 dias para que o número chegasse a 50 mil — marca atingida em 20 de junho do ano passado.

Entre a cifra de 200 mil, atingida em 7 de janeiro de 2021, e a de 250 mil, passaram-se 48 dias. O ritmo das mortes deve continuar acelerando. O Brasil pode atingir 300 mil mortes ainda no mês de março.

“Desde 22 de dezembro, a média móvel de mortes, com algumas flutuações, é maior do que a primeira onda. Quer saber quando vamos chegar a 300 mil? Vamos chegar no final de março ou início de abril. Isso é aritmética simples. Estamos acima de 1 mil mortes por dia”, afirmou Domingos Alves, pesquisador da faculdade de medicina da Universidade de São Paulo (USP) em Ribeirão Preto.

‘Enxugar gelo’

Há um consenso entre epidemiologistas, médicos e virologistas de que as medidas de isolamento do Brasil não são suficientes, sendo a ausência delas o principal fator para altas taxas de transmissão e mortes. Nesta quarta-feira, por exemplo, o estado de São Paulo determinou a restrição de circulação das 23h às 5h. Para Ethel Maciel, pós-doutora em epidemiologia, é “melhor que nada”, mas está longe de ser uma medida eficaz.

“O problema é que estamos com pouquíssimas medidas de restrição. Restringir de 23h às 5h é melhor que nada, mas é muito ruim. As pessoas andam em transporte coletivo lotado, entram em outros lugares sem nenhum controle”, disse.

Entre os erros cometidos pelo estado que acarretaram a marca de 250 mil mortes, Maciel lista:

– Demora para fechar as fronteiras;

– Implementação ineficaz — quase nula — de barreiras sanitárias;

– Política inexistente de testes e rastreamento de contatos e de assintomáticos;

– Queda na taxa de testagem;

– Falta de liderança e incentivo ao isolamento por parte do presidente, governadores e prefeitos.

Já Alves resumiu essas medidas — na verdade, a ausência delas — com uma expressão: toda a política nacional é de “enxugar gelo”. Segundo ele, cientistas avisaram sobre uma nova alta nos casos e mortes com dois meses de antecedência, em setembro do ano passado. Em novembro, com a alta no número de casos, o ministro da Saúde Eduardo Pazuello descartou o início de uma segunda onda e preferiu chamar de “repique”.

“Quando a pandemia estava na Itália ainda, a gente achou que não chegaria no Brasil. Aí começou a segunda onda na Europa e o governo disse que não tinha retornado no Brasil. É falta de competência”, avaliou Maciel.
Outro fator que pode impulsionar as transmissões é a chegada de novas variantes do Sars CoV-2. Nesta terça-feira (23), o Ministério da Saúde divulgou que rastreou 204 casos de pacientes infectados com as variantes do Reino Unido e do Brasil, inicialmente detectada no Amazonas. Ainda não há uma confirmação definitiva de que as mutações deixam o vírus mais transmissível, mas é uma possibilidade que está sendo investigada pelos cientistas e que causa preocupação.

Existem, no entanto, três centros de sequenciamento do vírus que enviam informações para o ministério: Fundação Oswaldo Cruz, Instituto Adolfo Lutz e Instituto Evandro Chagas. Outros laboratórios públicos e privados também têm feito a análise do material, mas não existe uma centralização dos resultados. No final, o país não tem noção da real disseminação das novas variantes, nem se elas já são dominantes.

Zé Gotinha?

O Brasil não fez uma campanha publicitária de incentivo à vacinação como em outros tempos. A chegada das primeiras doses foi bastante divulgada pelos governos estaduais e federal, mas parou por aí. Por enquanto, não é possível definir a data para aplicação da primeira dose em cada faixa etária ou grupo de risco.

O Ministério da Saúde faz uma recomendação para aplicação, mas governadores distribuem as doses com critérios diferentes. Nesta semana, o governo liberou aplicação da reserva dos lotes para a segunda dose da Coronavac em novos grupos prioritários. No ritmo de vacinação em que estamos, de acordo com especialistas entrevistados pelo Portal G1, vamos sentir o impacto da vacina no final do ano, em uma previsão otimista.

“A falta de informação dá a entender que com a chegada da vacina nós temos um viés de salvação, mas tudo indica que o processo vai ter um efeito só no final do ano. Até lá o cenário vai piorar, e isso é um cenário real. Os dados que estão se apresentando mostram isso. E as nossas medidas que estão sendo tomadas são, volto a dizer, de enxugar gelo”, disse Alves.

Via G1



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