Saiba quais foram as melhores leituras de 2017

O ano de 2017 foi uma verdadeira loucura literária. Li muito (também pudera, professorada da faculdade fez indicações sem dó) e quero dividir com vocês as leituras que me fizeram uma pessoa melhor durante o ano de 2017. Cada leitura, gente! Leitura de reflexão, leitura sobre o amor, leitura com dados históricos. E lá vamos nós!

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VOZES ANOITECIDAS, DE MIA COUTO

O escritor moçambicano conseguiu arrematar meu coração este livro que reúne uma coletânea de 12 contos. Em muitos desses contos, temos a presença do realismo fantástico (depois falo mais sobre esse gênero literário) para retratar o cotidiano e as situações vividas por seus personagens. Costumo ler prestando atenção a cada detalhe oferecido pela história, como o enredo,  as personagens e a linguagem utilizada. E o que mais chama atenção neste livro é a linguagem poética de Mia Couto.

Mia Couto busca resgatar a identidade de Moçambique por meio da literatura, após a guerra que o país enfrentou para se tornar livre, em 1975. Mas engana-se quem pensa que o livro só falaria das mazelas enfrentadas pelo povo moçambicano. O projeto literário de Couto é mostrar o que de bom há em seu país, ainda que poucas esperanças tenham ficado.  Nas histórias contadas é perceptível ver como o autor faz questão de mostrar o que há de bom em sua nação e mostrar como o moçambicano é resiliente e capaz de se reinventar sempre. Os contos falam da cultura moçambicana, falam também do que foi enfrentado durante a guerra, como as pessoas que morreram ao pisar em minas terrestres, por exemplo, fala da natureza e no leva a um percurso de reflexão. Afinal, onde está a beleza e a esperança que procuramos? Posso dizer que as belezas da vida estão nas miudezas que ela nos proporciona, como o cantar dos pássaros e um dia ensolarado. Foi essa a lição que Mia Couto me presenteou com esta leitura.

Esperança, persistência, sonhos, adversidades e recomeço foram as palavras que pude registrar durante a leitura. Vale a pena e você vai lerá este livro em uma tarde.

 

BAGAGEM, DE ADÉLIA PRADO

O livro de poesias da escritora mineira Adélia Prado, intitulado Bagagem, foi outra grata surpresa de 2017. Uma leitura leve, gostosa, reflexiva e de uma linguagem que foi feita para tocar o coração. Em Bagagem não há rebuscamentos de linguagem. Os versos são simples, mas as mensagens transmitidas , não. Adélia estreou na literatura com este livro e quis brindar o leitor mostrando sua “bagagem” de vida, de experiências, de literatura. O livro é dividido em cinco partes, em que a escritora mineira vai nos contando sua vida. Adélia tinha como inspiração poética autores como Carlos Drummond de Andrade e Guimarães Rosa e faz referências a eles em alguns poemas de seu livro. O poema de abertura, Com Licença Poética, é uma releitura do poema de Sete Faces, de Drummond, mas há um diferencial: Adélia refaz o poema dando ao leitor seu ponto de vista do que é ser mulher. Aliás, o ser mulher está presente em vários de seus poemas de Bagagem. Uma ousadia de Adélia à época, pois fala da mulher que busca autonomia, até em escolher o tipo de parto que prefere e fugir dos padrões impostos pela sociedade patriarcal. Bem atual, não é mesmo?

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ENTRE RINHAS DE CACHORROS E PORCOS ABATIDOS, DE ANA PAULA MAIA

Alguma vez na vida você já sentiu que a sociedade é um grande abatedouro, e que estamos propensos ao abate a qualquer momento? É essa a dura e real lição que temos ao ler o livro da escritora carioca, Ana Paula Maia. Com uma linguagem dura e com nuances de crueldade em certos momentos, o leitor é convidado a pensar sobre seu comportamento e como é viver em sociedade. As atrocidades cometidas pelas personagens, como, por exemplo, ir buscar o rim doado para a irmã e arrancá-lo com uma faca ( acreditem, isso aconteceu na primeira novela do livro), é tido como algo normal. Assustador, mas a sensação que tive ao ler o livro é como se a vida fizesse ( e de fato o faz) uma seleção natural com os indivíduos e consegue sobreviver quem é forte, ou mais o esperto e sem sentimentos. Uma leitura impactante  e merecedora de destaque.

Fico por aqui. Por enquanto. Na próxima semana volto com novas leituras, porque o que mais fiz em 2017 foi ler.

Espero que gostem e comentem se já leram estes livros mencionados.

Beijos da preta.

Até mais.

Viviane Alexandrino

Jornalista com experiência como repórter, assessora de imprensa e comunicação. Apaixonada por futebol e literatura, enlouquecida por séries e cinema, curiosa por excelência e quem sabe uma futura Youtuber de sucesso.


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