Colapso em Manaus: Pazuello visitou cidade para divulgar ‘kit cloroquina’

Quatro dias antes de Manaus ficar sem oxigênio, Ministro da Saúde esteve na capital amazonense.

Foto: Edu Andrade/Fatopress

Seguindo o discurso do presidente Jair Bolsonaro (sem partido) em suas transmissões semanais, o ministro da Saúde, Eduardo Pazuello, recomendou o tratamento precoce para diminuir os efeitos do coronavírus no Amazonas, em pronunciamento na sergunda-feira (11). O estado vive colapso no sistema de saúde, com hospitais lotados e sem oxigênio, o que deixa a situação mais terrível. Segundo o jornalista Roger Dias, do Estado de Minas.

Ainda que a Sociedade Brasileira de Infectologia (SBI) não recomende o tratamento precoce, Pazuello diz que o tema precisa ser mais divulgado pela imprensa para minimizar os casos e mortes pela doença.

“Senhores, senhoras, não existe outra saída: nós não estamos mais discutindo se esse profissional ou aquele concorda. Os conselhos federais e regionais já se posicionaram, os conselhos são a favor do tratamento precoce, do diagnóstico clínico”, disse o ministro, durante entrevista em Manaus.

O tratamento precoce consiste no uso de medicamentos ainda no estágio inicial da COVID-19, como cloroquina, hidroxicloroquina, ivermectina, azitromicina, nitazoxanida, corticoide, zinco, vitaminas, anticoagulante, ozônio por via retal e dióxido de cloro.

Eduardo Pazuello considera que tais medicamentos não matam ninguém e deveriam ser prescristos pelos médicos: “Os diretores dos hospitais devem cobrar na ponta da linha da UBS como o médico está se portando. O cara tem que sair com um diagnóstico, até porque a medicação pode e deve começar antes dos exames complementares. Caso o teste depois der negativo por alguma razão, reduz a medicação e tá ótimo, não vai matar ninguém, agora salvará no caso da COVID-19”, disse o ministro.

“O tratamento tem que ser imediato e os medicamentos têm que ser disponibilizados imediatamente. O paciente precisa se medicar e ser acompanhado pelo médico, essa dúvida não existe”, completou Pazuello.

Especialistas não recomendam

No mês passado, a Sociedade Brasileira de Infectologia divulgou comunicado condenando a orientação dada pelo Ministério da Saúde. “Os estudos clínicos randomizados com grupos de controle existentes até o momento não mostraram benefício e, além disso, alguns desses medicamentos podem causar efeitos colaterais. Ou seja, não existe comprovação científica de que esses medicamentos sejam eficazes contra a Covid-19”, diz o comunicado.

De acordo com a SBI, na fase inicial, da doença, “medicamentos sintomáticos, como analgésicos e antitérmicos, podem ser usados em pacientes que apresentem dor ou febre”.

De Roger Dias - Estado de Minas



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