- Jornalismo
- 12 de março de 2026
Palco do AML Cultural recebe tributo às mulheres negras do jazz e blues

A força estética e política do jazz e do blues entre em cena com o espetáculo “Vozes e Heranças”, que acontece nesta quinta (12) e sexta-feira (13), no espaço AML Cultural, em frente à Concha Acústica de Londrina. No palco, a cantora, produtora e pesquisadora Cecília Bandeira divide a cena com o pianista Daniel Grajew (SP), em um concerto que percorre o repertório eternizado por mulheres negras que marcaram a história da música.
Os ingressos para o concerto são gratuitos e podem ser retirados pela plataforma Sympla, para quinta (aqui) e para sexta, clicando aqui.
O espetáculo reverencia artistas como Billie Holiday, Ella Fitzgerald e Sarah Vaughan, com destaque especial para Nina Simone, intérprete que transformou o palco em território de afirmação, enfrentamento e consciência política. No repertório, clássicos como “My Baby Just Cares for Me”, “Love Me or Leave Me”, “Ain’t Got No, I Got Life” e “Feeling Good”, músicas que atravessam gerações e dialogam com o presente. Mais do que um recital, “Vozes e Heranças” propõe uma experiência de escuta. Voz e piano constroem uma atmosfera intimista e intensa, onde cada canção revela camadas de memória, identidade e permanência. Em “Vozes e Heranças”, a música não é apenas repertório: é herança viva.
Artista e pesquisadora na UEL
Com mais de duas décadas de trajetória, Cecília Bandeira desenvolve um trabalho contínuo de pesquisa e performance dedicado às raízes negras do jazz e do blues, afirmando em cena o protagonismo de mulheres pretas na história da música. Há cinco anos, essa investigação também se tornou acadêmica, aprofundando-se no campo da pesquisa universitária e fortalecendo o diálogo entre palco e reflexão crítica. Recém-graduada em Música da universidade, a artista está iniciando uma pesquisa de mestrado no campo da Sociologia.
Para ela, interpretar o repertório das grandes vozes femininas do jazz e do blues é um gesto artístico profundamente ligado à memória e à história. “Nos concertos, essa reflexão encontra seu ponto mais intenso na obra de Nina Simone”, comentou. “Cantar essas obras é reconhecer o legado de mulheres negras que converteram dor, resistência e experiência social em linguagem artística universal”, afirmou Bandeira. No caso de Nina Simone, continuou a artista, cada canção carrega não apenas sofisticação musical, mas também uma coragem rara de confrontar injustiças e dar voz às tensões do seu tempo.
O show na AML ainda representa uma ponte entre passado e presente. “A força dessas vozes continua ecoando nas discussões contemporâneas sobre cultura, identidade e justiça social. Reinterpretar a música imortalizada por essas cantoras é assumir, acima de tudo, a responsabilidade de manter viva uma tradição em que a música também é consciência, memória e resistência”, afirmou.
Ao seu lado está Daniel Grajew, pianista premiado, de sólida formação erudita e ampla atuação no jazz e na música instrumental brasileira. Ele atua ao lado de grandes vozes da música brasileira, como Zizi Possi e Marisa Monte, entre outras artistas de destaque nacional.
As duas apresentações na AML Cultural integram o projeto “Sons de Resistência, um tributo à força e à luta das mulheres pretas na história da música, com especial reverência à ativista e ícone Nina Simone”, realizadas com recursos da Política Nacional Aldir Blanc (PNAB), por meio da Secretaria Municipal de Cultura de Londrina.
Além do espetáculo, o projeto promove Rodas de Conversa gratuita. A primeira já foi realizada, no espaço Norte Cultural, e a data da segunda roda será divulgada em breve.
Redação Tem Londrina com Assessoria