Grupo tenta impedir interrupção de gravidez em menina de 10 anos estuprada

Tio da criança é o principal suspeito do crime; ele está foragido.

Foto: Colaboração/TemWhats

Um grupo militantes religiosos esteve à frente do Centro Integrado de Saúde Amaury de Medeiros, no Recife, na tarde deste domingo (16), buscando impedir que uma criança de 10 anos, grávida após ter sido estuprada pelo tio, interrompa a gestação.

De acordo vídeos publicados nas redes sociais, o grupo hostilizou o médico responsável pelo procedimento e a vítima ao entrarem no perímetro do hospital. (Assista o vídeo abaixo).

A menina, de 10 anos, é do Espírito Santo, e foi levada para o Recife para a realização do procedimento. No inquérito da Polícia Civil que investigou o crime, a vítima disse que era estuprada pelo companheiro da tia dela há ao menos quatro anos e que não havia relatado os abusos sexuais que sofria porque era ameaçada.

Militante bolsonarista foi quem divulgou dados da criança e do hospital – Foto: Reprodução

A militante de extrema-direita Sara Fernanda Giromini, conhecida como Sara Winter, divulgou durante a tarde nas redes sociais, o nome da menina e o endereço do hospital em que está internada. De acordo com Ariel de Castro, advogado especialista em direitos da infância e juventude em entrevista ao Portal UOL, a divulgação é uma violação do Artigo 17 do Estatuto da Criança e do Adolescente, que assegura a preservação da identidade da criança, bem como uma violação do Artigo 286 do Código Penal, que proíbe incitar publicamente a prática de crime.

Segundo um despacho, publicado na última sexta-feira (14), o juiz da Vara da Infância e da Juventude da cidade de São Mateus/ES, Antonio Moreira Fernandes, determinou que a criança fosse submetida ao procedimento de melhor viabilidade para preservar a vida da vítima.

Militantes tentam invadir hospital para evitar procedimento:

Em nota, a Secretaria de Saúde de Pernambuco (SES-PE) ressaltou a legalidade do procedimento que será realizado neste domingo:

A Secretaria de Saúde de Pernambuco (SES-PE) informa que segue a legislação vigente em relação à interrupção da gravidez (quando não há outro meio de salvar a vida da mulher, quando é resultado de estupro e nos diagnósticos de anencefalia), além dos protocolos do Ministério da Saúde (MS) para a realização do procedimento, oferecendo à vítima assistência emergencial, integral e multidisciplinar. Em relação ao caso citado, é importante ressaltar, ainda, que há autorização judicial do Espírito Santo ratificando a interrupção da gestação. É importante reforçar, também, que o Centro Integrado de Saúde Amaury de Medeiros (Cisam-UPE) é referência estadual nesse tipo de procedimento e de acolhimento às vítimas. Por fim, ratifica-se que todos os parâmetros legais estão sendo rigidamente seguidos.

Redação Tem com FolhaPE



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