Mães e alunos do Hugo Simas contestam versão de vídeo e defendem escola

Mães e alunos contestam vídeo polêmico divulgado na semana passada – Foto: Reportagem/TEM

Na última semana, o Colégio Estadual Hugo Simas, o mais antigo de Londrina, foi palco de uma polêmica que ocorreu nas redes sociais. Um vídeo, gravado por uma mãe de uma aluna criticando a peça teatral do FILO (Festival Internacional de Londrina) que havia acontecido na escola, foi o tema central da confusão. A equipe do TEM foi até o local descobrir o que realmente teria acontecido e ouvir todas as versões da história.

A reportagem ouviu mães e alunos que assistiram o teatro, e quiseram opinar sobre o que ocorreu. Silvana de Carvalho, de 46 anos, mãe de uma aluna, conta que discorda da maneira como reagiu a autora do vídeo, “Eu acho que ela não tomou a postura correta, de uma mãe que esta preocupada com a educação dos filhos, como ela disse”, para Silvana, que acompanha o dia a dia da filha na escola, o vídeo também teria um tom político e estaria desconectado com a realidade.

“Acho que ela está fazendo uso político da situação”

Mãe de aluna

“Na minha opinião o vídeo tinha um tom político, pessoal e talvez irresponsável, atacando a escola e os profissionais que nela trabalham. Pelo que entendi, aquela mãe não era leiga a respeito do funcionamento da escola, das leis que a escola segue, de como como funciona o regulamento interno do colégio (regulamento que todos nós pais e alunos recebemos e tomamos conhecimento no ato da matrícula), de que a escola não pode dispensar alunos menores de idade sem a autorização e presença dos pais, que valia nota a apresentação por fazer parte do currículo de disciplinas do Ensino Médio, que é proibido o uso de celulares na escola, proibido o uso de imagem de alunos” diz a mãe.

Veja o depoimento de uma aluna:

Ela também acha que faltou diálogo por parte da autora da filmagem. “Parecia que ela queria era se aparecer, denigrir a imagem da escola e dos profissionais, atingindo com isso todos os alunos também, incluo minha filha nisso, por conta disso, os alunos estão brigando entre si através das redes sociais, e isso é muito estressante para eles, para toda a comunidade escolar, prejudicando o lado pedagógico, inclusive as ameças que a escola esta recebendo”, conta.

Outra mãe que conversou com o TEM, Michele Costa, de 36 anos, também acredita que a mulher teria exagerado. “Eu achei que ela exagerou um pouco, hoje as pessoas querem expor tudo na mídia, não existe mais conversa, ela poderia até estar correta em algum ponto, mas ela perdeu a razão ao ir e fazer um vídeo contra os professores e a direção. Achei errado demais”, conta.

Colégio mais antigo de Londrina foi alvo de polêmica – Foto: Reprodução

Silvana, diz que a mulher teria agido errado ao não procurar a escola, o que é um direito dela como mãe de aluno. “Ela tem o direito de não concordar com o que foi apresentado (mesmo sabendo que faz parte da grade curricular do Ensino médio, ou não sabendo), se tem outros princípios, mas ela deveria ter ido prontamente procurar a direção e equipe pedagógica e expor sua opinião, e tentar resolver da melhor maneira através do diálogo e não fazer toda essa bagunça para se promover”, completa.

Peça teatral

A direção do colégio, divulgou uma nota explicando os questionamentos realizados pela autora do vídeo: “Inicialmente, cumpre informar que a mencionada atividade cultural faz parte da programação do FILO, um dos mais importantes “eventos culturais realizados anualmente nesta cidade. Ademais, esclarece-se que a apresentação estava programada para ocorrer em outra escola estadual do município de Londrina e, diante da impossibilidade de se realizar o espetáculo no local previamente agendado (inviabilidade técnica), a organização do Festival solicitou que a atividade ocorresse no Colégio Estadual Hugo Simas, o que foi prontamente atendido.”

O TEM apurou que os alunos e os pais que assistiram a peça teatral apresentada na escola, apresentam uma versão diferente da mãe, que conforme contou na própria gravação, não assistiu a apresentação.

Para a aluna Thais Bonafini, do 3º ano, a peça abordava assuntos importantes para a sociedade. Ela também afirma que a falta de acesso à cultura, justifica a dificuldade de entendimento por parte da comunidade. “Achei uma peça que abordava assuntos muito importantes a serem discutidos. Ela trazia como reflexão a luta dos próprios alunos pela educação e mostrava como era as ocupações ocorridas em 2016. A peça trouxe tantas polêmicas pois as pessoas que estavam presentes (a maioria estudantes da noite) não são acostumadas com peças de teatros”, segundo a jovem, outras questões, colocadas no vídeo, seriam falsas: “Não tinha homem algum vestido de mulher e não era obrigatório ficar, segundo o que aquela senhora afirmou” explica a estudante.

“Achei fascinante a peça, não tenho dinheiro para ir ao teatro”

Essa foi a primeira vez que o estudante Igor Costa, do 3º ano, teve contato com o teatro, para ele, a peça não tinha “nada demais”, “olha, sinceramente, não achei nada de mais. Gostei [da peça], achei super interessante. Eu vi coisas na peça que não sabia”. O aluno, ainda conta que essa foi sua primeira experiência assistindo uma apresentação teatral.

“Eu não tenho condições de pagar para ir num teatro. Achei tudo fascinante!”, conta o aluno feliz por ter tido contato com a atividade cultural”

Igor Costa, estudante

Alunos defendem a escola

Segundo a estudante Emily Chagas, do 3º ano, a maioria dos alunos do período noturno (horário em que a peça foi encenada) defendem o colégio. “Da parte do noturno, que é onde tenho mais contato, todos estão a favor da escola, até porque foi totalmente distorcida a história da mãe que gravou o tal vídeo”, conta. Para ela, a autora da filmagem exagerou. “Totalmente descentrada. Acho que a ideia da moça era mais se aparecer e causar fama pois nada do que ela falou, foi o que realmente aconteceu. Ela também contesta a versão de que os alunos não podiam sair. “Em momento nenhum a diretora proibiu que alguém fosse embora”, disse a jovem.

“Na minha opinião ela [mulher que gravou o vídeo] estava com o intuito de se aparecer e de ganhar fama nas redes sociais”

Aluna do Hugo Simas

“Na minha opinião ela [mulher que gravou o vídeo] estava com o intuito de se aparecer e de ganhar fama nas redes sociais, porque, infelizmente, hoje em dia, qualquer coisa que se publica [na internet] as pessoas dão repercussão”, diz a aluna.

Para a aluna Rubia Siqueira, do 3º ano, a mãe deveria ter procurado a escola antes de fazer um vídeo e certificar se os fatos eram reais. “Foi uma completa palhaçada, ela foi completamente preconceituosa, em nenhum momento procurou a escola ou até mesmo outros alunos pra saber o que aconteceu, e já saiu tomando uma atitude completamente mal pensada. Foi pra internet e espalhou uma fake news que não só prejudicou a imagem do colégio, como também ofendeu muitas pessoas que se sentiram representadas na peça”, conta. “Foi desrespeitosa e, além de uma indignação, me causou repulsa, sabe?”, disse a aluna completamente indignada com a situação.

Vida escolar dos alunos

“Sou uma mãe muito presente na vida escolar das minhas filhas, e a respeito da escola, eu a considero uma das melhores de Londrina, com excelentes profissionais, que trabalham em prol dos nossos filhos, passando para eles uma educação de qualidade”, conta uma das mães.

“O colégio é um dos melhores da cidade, sempre acompanho a educação da minha filha”, diz Silvana de Carvalho, mãe de aluna – Foto: Reportagem/TEM

Escola tem atividades culturais

Para a estudante Natália Correa, do 1º ano, a escola é um local que deve promover debate e cultura. “Nós tivemos essa semana mesmo, a apresentação de uma orquestra com violino, e tudo mais. Então a gente está aqui para aprender sobre culturas diferentes. É um espaço de diversidade, de respeito, e é isso que o colégio quis proporcionar para gente”, conta a aluna.

“Sempre temos apresentações culturais na escola, e isso é muito importante”, complementa.

Ameaças contra funcionários

Pessoas ouvidas pela reportagem denunciaram que a escola está vivendo sob ataques e ameaças. Segundo uma funcionária, que não quis se identificar, os professores chegaram a receber ameaça de morte após o episódio.

Ela ainda conta que o colégio tem recebido várias ligações de pessoas que não possuem filhos matriculados proferindo palavrões e xingamentos contra os funcionários e os professores.

A instituição registrou um Boletim de Ocorrência (BO) contra as ameaças.

Autora do vídeo que originou a polêmica – Foto: Reprodução

Apoio à escola

Uma manifestação realizada por professores, alunos, funcionários e pais, será realizado na noite desta terça-feira (12) a partir das 18h, no colégio. O ato pretende defender o colégio das ameaças sofridas.

Redação Tem


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