Advogado denuncia más condições de cadeia pública em Ibiporã

Advogado publicou vídeo nas redes sociais fazendo a denúncia.

Imagem: Reprodução

Uma denúncia de violação de direitos humanos na cadeia pública de Ibiporã foi feita pelo advogado de Londrina Alexandre Nascimento. Na última quinta-feira (20), ele gravou um vídeo (veja abaixo), em suas redes sociais, contando as condições que presenciou ao visitar um cliente no chamado cubículo de triagem da cadeia pública masculina de Ibiporã. “Por meio de uma minúscula portinhola de aço, sob o sol escaldante, pude ver: restos de insetos; camas de concreto sem colchões; ausência absoluta de luz; ausência de ventilação mínima; ausência de água potável em cano próprio; vaso sanitário entupido; fezes; barro”, relata.

Segundo o advogado, o cheiro do local era extremamente desagradável. “No início, quando me aproximei da portinhola, estranhei o odor fétido que emanava. Odor que superava o de qualquer presídio que eu havia visitado até então (e todos são muito fedidos). Eram as fezes humanas misturadas com suor, urina e concentradas numa massa de ar sem dissipação”, conta Nascimento.

Diante dos fatos, ele fez um pedido de providências ao juízo competente, pedindo para intimar o Ministério Público, a Defensoria Pública, o governo do estado e o Departamento Penitenciário (Depen), que é responsável pela administração das cadeias. “Estou com uma ação que pede providências. O pedido liminar [de providências] aguarda decisão, e processualmente está dentro do prazo esperado, especialmente pela sobrecarga de trabalho que todos os magistrados enfrentam na região. Porém, quando pensamos que se tratam de saúde e dignidade humanas, todo minuto de espera se torna uma eternidade”, comenta o advogado.

Em entrevista ao TEM, ele disse que decidiu publicizar o caso porque acredita que pode ajudar a agilizar a solução do problema. Comentou ainda sobre os problemas que esse tipo de condições pode gerar. “Tais violações apenas deixam os presos doentes, física e mentalmente, e depois o estado deve custear o tratamento; e a sociedade lidará com egressos traumatizados e revoltosos. Ainda, tais condições fortalecem o crime organizado dentro dos presídios e cadeias, pois essas organizações, muitas vezes, resolvem os problemas sanitários antes do estado, e com isso ganham adeptos. Quando negamos a condição de humanos aos detentos, nós também decaímos e nos tornamos desumanos”, conclui o advogado.

A reportagem do TEM tentou contato com o Depen, mas não conseguiu retorno até o fechamento desta matéria.

Veja a denúncia:

Redação Tem



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