‘Após 20 anos de agressões, tive coragem de denunciar’, diz mulher esfaqueada pelo ex em Londrina

Homem não aceitava o fim do casamento.

Foto: Reprodução

A Polícia Civil de Londrina prendeu na quarta-feira (04), o homem acusado de tentar matar a ex-esposa a facadas enquanto ela seguia para o trabalho na tarde de segunda-feira (02). O crime aconteceu na Rua Martin Luther King, no Jardim Petrópolis, área central da cidade.

Para a delegada do caso, Magda Hofstaetter, o agressor alegou não se lembrar dos fatos por ter ingerido bebida alcoólica. Ele chegou a confirmar que foi procurá-la para conversar sobre assuntos familiares, mas disse não se recordar do que ocorreu.

“Eu vivi 20 anos de agressões, mas um dia tive coragem de denunciar”, disse a vítima.

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A mulher, de 47 anos, foi golpeada no braço e no pescoço com uma faca. A vítima recebeu atendimento de socorristas do SIATE (Serviço Integrado de Atendimento ao Trauma em Emergência) antes de ser encaminhada ao hospital. Na terça-feira (03), ela teve alta e se recupera em um abrigo, para onde foi levada junto com o filho de 14 anos.

Ainda, de acordo com a vítima, o ex-marido não aceitava a separação que ocorreu há pouco mais de um ano. Ois dois foram casados por 20 anos.

Homem conseguiu fugir após cometer o crime – Foto: Reprodução/Tarobá

Durante o depoimento, a mulher relatou que vivia um casamento abusivo, com agressões e ameaças, até que um dia teve coragem de procurar a Delegacia da Mulher e deixar a residência onde morava com ele e o filho do casal.

Na época em que fez a denúncia, há cerca de um ano, a vítima recebeu uma medida protetiva contra o ex-esposo. No entanto, a medida não assegurou que ele tentasse assassiná-la em plena luz do dia, no caminho do trabalho.

A especialista em direto da mulher, a advogada Carla Cecílio, explica que as mulheres que possuem medida protetiva, podem utilizar o número do 153, para ocorrências da Lei Maria da Penha. “A qualquer sinal de alerta, assim que ela perceber que estiver sendo seguida ou se sentir em perigo, deve ligar prontamente para o 153 e acionar as autoridades”.

“A medida protetiva é apenas um documento que tenta inibir as ações dos agressores, podendo levar o agressor à prisão, caso seja descumprida, no entanto, muitos não se sentem intimidados com a lei”, afirma a advogada. Por isso é importante ligar para a patrulha da Maria da Penha assim que a mulher se sentir ameaçada, pois se o agressor vê que consegue se aproximar e não é punido, a medida vai perdendo eficácia e podemos chegar ao ponto de uma nova agressão e até mesmo feminicídio.

‘A qualquer sinal de alerta ou perigo, a mulher deve ligar prontamente para o 153 e acionar as autoridades’, diz especialista.

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A advogada também lembra que assim como a vítima na reportagem, muitas mulheres sentem medo ao denunciar os agressores. Ela recomenda que as vítimas procurem orientação jurídica e ajuda psicológica antes da denúncia. Isso pode ser encontrado no Centro de Referência e Atendimento às Mulheres em Londrina (CAM), de forma gratuita. O espaço fica localizado na Avenida Máximo Péres García, 340.

Homem foi preso na quarta-feira (04) – Foto: Reprodução/AEN

O agressor deve permanecer preso. A mulher e o filho estão recebendo acompanhamento.

Redação Tem


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